Oito PMs são presos administrativamente acusados de tortura em Belford Roxo


BELFORD ROXO - A Corregedoria da Polícia Militar prendeu administrativamente, nesta quarta-feira, oito PMs do Batalhão de Choque suspeitos de participar de uma sessão de tortura em Belford Roxo, Baixada Fluminense, na sexta-feira passada. A decisão de prender os policiais partiu do Comando-Geral da corporação. Na terça-feira, o EXTRA revelou que quatro moradores de um condomínio perto da Favela da Guacha denunciaram à Corregedoria da PM terem sido vítimas de uma sessão de tortura com tapas no rosto, chutes e choques elétricos, queimaduras no pênis de um dos rapazes com uma prancha para fazer chapinha no cabelo, sufocamento com saco plástico e a introdução de um cabo de vassoura no ânus das vítimas.

A investigação foi encaminhada nesta quarta-feira ao Ministério Público. Os oito PMs presos integravam a mesmo guarnição. Três deles foram reconhecidos pelos denunciantes porque estavam com os rostos descobertos. Os outros cinco policiais presos acabaram presos porque estavam junto dos PMs identificados.

Queimaduras de segundo grau

Um laudo pericial preliminar feito por médicos da PM detectou uma queimadura de segundo grau no pênis de dos denunciantes. Nesse tipo de lesão, o segundo na escala de gravidade, a epiderme e parte da derme são atingidas.

O rapaz é o dono do apartamento onde a sessão de tortura aconteceu, segundo os relatos das vítimas. Ele é cabeleireiro e, por isso, tinha uma prancha para fazer chapinha no cabelo em casa. Os jovens contaram à Corregedoria que um dos PMs, após obrigar os rapazes a tirarem as roupas, ligou na tomada uma prancha de cabelo e queimou o pênis do cabeleireiro.

Ao todo, exames realizados pelo Núcleo de Perícia da Corregedoria constataram lesões em três das quatro vítimas. A sessão de tortura, que durou quatro horas, teria como objetivo, segundo os depoimentos que fazem parte da investigação, obter informações sobre a localização de armas e drogas no condomínio. Três jovens afirmam que foram abordados pelos agentes na parte externa do condomínio e, depois, conduzidos ao apartamento do cabeleireiro. Como não respondia às perguntas dos PMs, o mesmo jovem foi sufocado com um saco plástico.

Via Extra

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