Economia compartilhada: alugar roupas é a nova tendência

Custo reduzido, praticidade e sustentabilidade são os pilares da nova forma 

Karina Macedo Alves vai inaugurar uma loja para alugar roupas de bebê 
Foto: Fabio Rossi / Agência O Globo

RIO - O aluguel de roupas de festa já é um serviço bem conhecido. Agora, no entanto, a tendência está sendo ampliada para outros segmentos, como roupas casuais, moda gestante, enxoval de bebê, malas e casacos para viagem. O comportamento faz parte do conceito de economia compartilhada, em que a posse permanente é substituída pela temporária.

O consultor de varejo da Fundação Getulio Vargas (FGV), Cláudio Goldberg, explica que o surgimento do novo modelo de negócio acompanha o avanço da tecnologia, a qual modifica a maneira com que as pessoas se relacionam e consomem. Uma pesquisa da MindMiners, com millennials — pessoas de 18 a 32 anos — mostrou que os principais motivos apontados para utilizar produtos ou serviços de economia compartilhada são o custo reduzido e a praticidade.

Baseada nesses pilares, além da sustentabilidade, Karina Macedo Alves, de 26 anos, vai inaugurar em setembro a Fauna Baby — loja para aluguel de enxovais, casacos e roupa social para crianças de 0 a 4 anos. A ideia surgiu ao perceber que o afilhado perdia as roupas muito rápido. Com o aluguel, é possível economizar até 70% do valor. Todas as peças são higienizadas com hipoalergênicos pela loja e, para poupar tempo das mães, há motoboy para entregar e buscar os itens.

— Um enxoval com 96 peças que custaria mais de R$ 3 mil, sai por R$ 1500. As mães podem pegar as roupinhas antes mesmo do parto e ficam com elas por três meses. É possível trocar o que não servir no bebê — diz.

A advogada Flávia Pascual, de 34 anos, vai viajar para os Estados Unidos em janeiro e pretende alugar casacos para os dois filhos, de três anos e um ano e meio:

— Eles crescem muito rápido. Às vezes, a gente compra um casaco e no ano seguinte já tem que comprar outro.

Gestantes podem alugar roupas de acordo com mudanças do corpo Foto: Carol Zanarotti / Bump Box

Para atender as grávidas, que têm rápidas transformações no corpo, Cíntia Cavalli, de 42 anos, e uma sócia criaram a Bump Box em 2017. A loja de aluguel de peças de roupas femininas oferece planos de um, três e seis meses.

— Não tem porquê mudar guarda-roupa por uma fase transitória. A cada trinta dias, ela recebe quatro peças, usa, devolve e recebe peças novas — explica.


Peças para viagens também podem ser alugadas

Malas e casacos para neve e frio intenso também podem ser alugados. Na loja Mala Cadabra, de Ribeirão Preto, é possível alugar os itens e economizar até 80% do valor. As diárias de malas começam em R$ 9 e vão até R$ 14, mas há descontos progressivos a partir do oitavo dia. Segundo a empreendedora Meire Elen Foresti, 48 anos, além de ter uma mala de qualidade, adequada para cada tipo de viagem, a grande vantagem é não precisar guardar o item em casa:

— Hoje em dia os apartamentos estão cada vez menores. Para quem viaja até três vezes no ano, não compensa comprar um produto com alto custo e que vai ficar guardado — explica e acrescenta: — quem vive em cidade quente, só usa casaco para viajar mesmo. E, quando precisa dele, está com cheiro de mofo.

Também é possível fazer a locação pelo site da empresa, estando em qualquer outra cidade do país. Em caso de problemas, por exemplo mala for extraviada ou dano devido à viagem de avião, não é preciso pagar nenhum valor extra: basta entregar o documento da companhia aérea que a própria loja se responsabiliza por solicitar reembolso.


De pessoa para pessoa

Para resolver a questão de ter um evento específico, querer vestir algo diferente, mas não poder comprar, surgiu o LOC — aplicativo para alugar roupas do dia a dia e estimular o consumo consciente. Ao contrário das lojas que prestam esse serviço, o app se baseia no modelo C2C, ou seja, de pessoa para pessoa. Funciona como uma rede social: um usuário cadastra seu guarda-roupas, coloca os valores pelos quais comprou cada peça e o que deseja receber pelo aluguel. Os interessados têm acesso ao catálogo e fazem o pagamento pela própria plataforma, através de cartão de crédito.

— Sugerimos que cobrem pelo aluguel 10% do que custou cada item. Desse valor, a plataforma fica com 30%. O interessante é que, enquanto as peças não estão alugadas, o próprio dono pode continuar usando. A roupa não tem que ficar à disposição, separada em nenhum outro lugar — explica o diretor executivo Filipe Tambom, de 34 anos.

O aplicativo está disponível em São Paulo e Salvador, por enquanto. Desde 2018, já foram feitos mais de 5 mil aluguéis. Na plataforma, há desde blusas por R$ 30 até bolsas de grife por R$ 120.

Aplicativo permite aluguel de roupa entre pessoas


por: Letycia Cardoso
Via: Jornal Extra

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