Primeiro sarau Afro-Indígena do IFRJ campus Belford Roxo


BELFORD ROXO - Com o objetivo de enaltecer a literatura negra e indígena, o campus Belford Roxo realizou o primeiro Sarau Afro-Indígena. O evento, que aconteceu no dia 30 de novembro, promoveu trocas culturais, leituras, reflexões e, ainda, abriu espaço para artistas da Baixada Fluminense se apresentarem, dando visibilidade ao trabalho que desenvolvem.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI) da unidade, Estevão Leite, a ideia do Sarau surgiu a partir de uma parceria entre o Núcleo e o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (COMPED), presidido por José Antônio dos Santos; além da ajuda de parceiros externos, como foi o caso do professor Paulo Roberto Martins, da Rede Estadual de Educação.

As atividades tiveram início com a palestra sobre os primeiros africanos da Baixada Fluminense, ministrada pelo professor e pesquisador Nielson Bezerra, da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF). O docente destacou a necessidade de ter um maior conhecimento sobre a história da Baixada Fluminense, a partir das vozes daqueles que foram silenciados: “Há quatro mil anos a região era habitada pelos Sambaquis, povos indígenas que ocuparam parte do litoral brasileiro. Contudo, só recentemente os povos vêm sendo estudados com mais profundidade”, afirmou.

Nielson complementou: “Já a partir do século XVI, a região de Belford Roxo, então chamada de Freguesia Santo Antônio de Jacutinga, recebeu um número significativo de pessoas negras escravizadas que transformaram, com seu trabalho, seus hábitos e sua presença na nossa região”, disse.

No período da tarde foi realizada a mesa redonda intitulada “Tornar-se negro”, com as psicólogas do município de Belford Roxo Ana Carolina Rosa, Daniele Alves, Gizelli Hermano e Uina Claudio de Almeida, que discutiram práticas de auto identificação e compartilharam experiências de suas trajetórias de vida, marcadas pelo combate ao racismo.

Durante o evento, a programação foi marcada por atividades culturais, dentre elas: oficina de hip hop, conduzida por Eddi MC, ex-integrante da banda Nocaute; oficina de percussão com Ney Drummond; apresentações musicais com Marrone Recarregue e Seu Mathias; declamação de poesias, com a poetisa Celeste Estrela; e leitura de textos por Maria Chocolate, escritora e coordenadora do projeto “Cantinho Literário”, desenvolvido na cidade de Duque de Caxias, que incentiva à leitura.

Para o coordenador do NEABI, Estevão Leite, promover um evento como esse é um sinônimo de resistência: “Para um campus em que 70% dos estudantes se autodeclaram negros, a realização de um sarau como esse é de extrema importância. Ocupar esse espaço no município de Belford Roxo é, portanto, um ato de resistência e de luta antirracista”, concluiu.

Segundo ele, os organizadores já estão na expectativa de realizar outras edições do evento durante o ano de 2019. A ideia é que o incentivo à leitura de autores (as) negros (as) e indígenas possa se constituir como uma prática no campus Belford Roxo.

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